sábado, 13 de fevereiro de 2016

A importância do sono

Um dos temas que me desperta grande interesse é o do sono, talvez porque não tenho conseguido manter a regularidade pretendida o que acaba por vezes por se reflectir na falta de descanso e recuperação e todos os efeitos que isso implica.

Mas estamos sempre a tempo de alterar os nossos hábitos, desde que haja verdadeiramente vontade para tal. Nesse sentido, procuro sempre saber mais sobre determinado assunto do meu interesse.

Há dias, dei com um artigo acerca de um programa de rádio da Antena 1 cujo tema foi "os poderes da melatonina" e que contou com a participação da Professora Teresa Paiva, neurologista e especialista em medicina do sono, artigo esse que achei interessante e como tal partilho convosco um breve resumo com os principais pontos chave.


“A melatonina tem um ciclo inverso do ciclo da temperatura do corpo. Enquanto a temperatura desce durante a noite, até às quatro da manha, a melatonina começa a ser produzida a partir das oito horas da noite e sobe até às quatro da manhã

O nosso ritmo biológico mais estável é o ritmo da nossa temperatura corporal e essa temperatura tem um ritmo que é bifásico, o que quer dizer que no fim do dia começa a descer, tem um mínimo em redor das quatro da manhã e depois começa a subir, alcançando o máximo à hora do almoço. A seguir há um mínimo relativo que coincide com o nosso período de propensão para a sesta, começando a descer até à noite.

A melatonina é hipnogénica e circadiana mas não nos faz dormir. É como se fosse um sincronizador para todo o corpo de que são horas de dormir.



Se à uma da manhã mantivermos a luz acesa ou estivermos a trabalhar com um computador cheio de luz ou outro dispositivo electrónico , a melatonina é bloqueada e o nosso sistema fica altamente perturbado. Tal como um desportista que dá muitas quedas e lesiona o joelho, se fizermos muitas agressões deste género, há a tendência para deslizar o adormecer para horas cada vez mais tardias e o nosso sistema pode ficar danificado.”

É preciso não esquecer que somos animais diurnos, ao contrário, por exemplo, da coruja do mocho, do rato. Estamos feitos para sermos animais diurnos, a parte nuclear do nosso dia tem que ser diurno. É um sistema que foi aperfeiçoado ao longo de milhões de anos.
Nós somos animais altamente sincronizados. A regularidade, na alimentação, nas horas de deitar e levantar, é essencial ao nosso equilíbrio.

A extrema variabilidade de hábitos faz com se desregulem os relógios internos, biológicos e o organismo tem de fazer um grande esforço para se adaptar. Estas alterações também afectam o funcionamento hormonal. No principio da noite produzimos hormonas anabolizantes, a hormona do crescimento, a prolactina, a testosterona, também hormonas que nos dão o equilíbrio auto-imune. No fim da noite, produzimos hormonas catabolizantes, o cortisol que nos dá energia.

Quanto há grande variações, quando não temos horários, as células devem ficar descontroladas, deve haver hesitações entre as nossas hormonas , vou eu ou vais tu, quem é que vai hoje…

As consequências para a saúde podem ser muitos graves, segundo Teresa Paiva: “O crescimento, essencial para a reparação dos tecidos, é afectado. A produção de leptina e grelina também fica desregulada, o que contribui para o aumento do apetite. A testosterona diminui nos homens. Doenças ainda mais graves como o cancro, o Alzheimer, alterações cognitivas diversas também podem ocorrer”

Pode ouvir o programa de rádio no seguinte endereço electrónico:

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