sexta-feira, 16 de outubro de 2015

Um verdadeiro golpe de estado...

Apesar de não ser fã da Manuela Ferreira Leite (sempre achei que ela tem um ar demasiado antipático austero e por vezes arrogante) a verdade é que não deixa de ter alguma razão quando diz que António Costa não tem legitimidade (política) para propor um governo de esquerda com o PCP e o BE  uma vez que nunca colocou essa hipótese aos eleitores durante a campanha eleitoral e como tal os portugueses ao votar no PS não o fizeram a pensar num governo de esquerda que contemplasse o PCP e BE cujos os programas eleitorais divergem significativamente do programa do PS (ver aqui o
excerto da entrevista de ontem  no programa "Política Mesmo" da TVI24).
No entanto, é preciso ver que aquilo que o PCP e o BE estão a  fazer é (na óptica deles) escolher de um mal o menor. O objetivo principal destes 2 partidos de esquerda é evitar a governação por parte dos partidos que deram lugar às medidas de austeridade, nem que para isso tenham de pôr de lado alguns dos seu ideais (nomeadamente os que se referem às questões europeias).

Se por uma lado considero que  é bom assistirmos a esta dinâmica que temos vindo a assistir por parte dos vários partidos, por outro, compreendo quando a Manuela Ferreira Leite diz que poderemos estar perante uma interpretação abusiva dos resultados eleitorais por parte dos partidos de esquerda e que uma grande maioria do eleitorado poderá sentir-se defraudado perante isso.

Assim sendo, antevejo que caso se venha a formar um governo de esquerda o mesmo terá muito pouca margem de manobra para eventuais erros ou medidas pouco populares que provoquem insatisfação na maior parte do eleitorado, o que o torna demasiado frágil para cumprir legitimamente um mandato de 4 anos...
Para além disso, é de prever que os dois partidos mais à esquerda depressa comecem a divergir e a pôr-se de lado de muitas medidas que venham a ser tomadas por um governo PS (cujo o programa eleitoral recorde-se, aproxima-se muito mais da coligação de direita do que os programas de esquerda).

Ou António Costa consegue liderar um governo que marque a diferença pela positiva (o que é muito difícil face há pouca margem de manobra que o país tem perante os compromissos europeus) ou muito facilmente cairá em desgraça por ter tomado o lugar de primeiro ministro quando os resultados eleitorais obtidos estavam longe de apontar para esse cenário.

Em suma, compreendo aquilo que a esquerda está a tentar fazer, considero positiva esta atitude pró-ativa e toda esta dinâmica política que temos vindo a assistir (considerando que é bom para a democracia) mas tenho muitas dúvidas que venha a ter resultados práticos.

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